Esperei…

Num tormento de ansiedade

aguardei por ti

e no vazio da saudade

esperei por ti.

Em cada momento que passou, esperei

na expectativa de uma única palavra

que nunca chegou.

O teu silêncio inesperado

arrasou comigo de imediato

mas o meu coração destroçado,

aprendeu a zelar por si próprio

com muito mais cuidado.

Na tristeza, aprendi a sorrir

e na fraqueza

a minha força vim descobrir.

Por isso, agradeço o teu silêncio e afastamento,

cada lágrima e todo o sofrimento,

porque hoje o meu coração…

É muito mais resistente.

S. Paiva.

Sussurra-me ao ouvido.

Vem,

aproxima-te de mansinho

e sussurra-me ao ouvido

diz-me suavemente, baixinho

o que queres de mim.

Diz-me que queres

impregnar a minha mente com o teu cheiro,

dominar todos os meus sentidos

e tomar posse do meu corpo.

Diz-me que queres a minha paixão nua e crua

sentir a minha pele na tua,

diz-me que vieste incendiar o meu coração.

Neste momento

fazer parar o tempo,

entregar-mo-nos perdidamente

à loucura e ao ardor,

ao encontro do desejo que nos consome com furor.

Os nossos corpos embebidos de suor

colados no nosso calor

e inundados na nossa emoção.

Vem…

 

A companhia da solitude

Às vezes a Alma precisa de se esconder

e todos os pensamentos recolher

para poder reencontrar

a sua mais pura faceta

e ao seu estado original voltar.

São nos momentos de silêncio e solidão

que encontramos a nossa verdadeira versão,

a mais pura e real do nosso ser.

A Lua torna-se a leal confidente

as Estrelas, um abraço permanente

e na almofada,

morrem inundados os nossos medos

porque choramos cada receio

libertando a Alma de qualquer refreio

para esta acordar, em pleno das suas forças

com o amanhecer.

Aprender a deixar a solitude ser a nossa companhia.

Para a Alma, não existe melhor guia

que ajude a renascer o coração.